Fogo começou fora da reserva, mas se alastrou para a vegetação do parque na sexta-feira. Brigadistas e voluntários atuam no combate às chamas e pedem ajuda

Brigadistas e bombeiros civis travam uma verdadeira batalha para tentar conter o incêndio que destrói a vegetação do Parque Nacional da Serra do Cipó, na Grande BH, desde a última sexta-feira. Por causa do estrago e dos riscos para turistas, a reserva foi fechada para visitação na segunda-feira. Quem trabalha no local pede ajuda de voluntários.

A bióloga Vanessa Maria da Cruz Carvalho atua como brigadista voluntária no parque e conta que a cidade já está coberta de fumaça e fuligem desde o começo do incêndio. “O calor é muito forte. Os insetos começaram a entrar nas casas, os bichos atravessam as estradas. Há animais silvestres morrendo”, explica. Segundo ela, veados, gambás e outros pequenos mamíferos já foram atropelados na via, onde há uma grande movimentação de veículos por causa das mineradoras. A situação piora com a baixa visibilidade nas estradas, causada pela fumaça.

O fogo começou do lado de fora e acabou atingido a área do parque. Segundo Vanessa, áreas de várias cachoeiras, com a do Retiro e da Farofa, já foram atingidas. As equipes agora trabalham para evitar que o fogo chegue à entrada principal do parque. O combate é feito com abafadores e bombas costais. Ao todo, são 65 brigadistas do Instituto Chico Mendes, da Brigada Municipal do Ibama, de Jaboticatubas e voluntários treinados trabalhando no local. A previsão é de que 15 bombeiros civis cheguem ao local hoje.

A analista ambiental do parque da Serra do Cipó, Paula Leão Ferreira, confirma o fechamento do parque e ressalta que toda a equipe da reserva está envolvida no combate ao incêndio. Segundo ela, os bombeiros militares foram acionados, mas ainda não têm possibilidade de apoiar o combate por causa do atendimento a outras demandas na região metropolitana. A cidade de Santana do Riacho, onde fica o parque, não possui pelotão do Corpo de Bombeiros, sendo atendida pelo 3º Batalhão, de Belo Horizonte. O em.com.br entrou em contato com a assessoria de imprensa da coorporação e aguarda reposta sobre a previsão de atuação deles no caso.

Somente ontem, 2 mil hectares de vegetação foram destruídos, segundo a analista ambiental. Ela explica que os brigadistas estão enfrentando grande dificuldade para chegar aos locais de combate. “São terrenos acidentados. A gente não consegue acessar com veículo. Nós dependemos do transporte pelo helicóptero do Ibama, o que é um fator complicador”, diz. “Se as pessoas quiserem ir à pé, têm que andar 10 quilômetros, para ir e voltar. Ontem estávamos aqui com 38 graus, o vento muito forte. A umidade relativa do ar está muito baixa, entre 10% e 20%”, explica.

As equipes que trabalham no parque pedem a ajuda de voluntários. De acordo com a equipe, quem não tiver experiência de combate a incêndios pode auxiliar na logística da operação, organizando equipamentos e na produção das refeições. Os interessados podem entrar em contato com o Parque Nacional da Serra do Cipó pelo telefone (31) 3718-7151.

GRANDE BH Na manhã desta quarta-feira, o Corpo de Bombeiros registra pelo menos quatro incêndios em vegetação, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na rodovia MG-020, no Bairro Ribeiro de Abreu, Norte da capital, o fogo ameaça casas na região e uma viatura está no local.

Situação parecida ocorre nas proximidades da BR-381, no km 435, em Sabará, onde o fogo consome uma mata próxima à Associação Comunitária Arco Íris. Em Vespasiano, no Bairro Imperial, há registro de incêndio na região da MG-010 e a fumaça atrapalha o trânsito na rodovia.

Os militares já controlaram as chamas na vegetação às margens da BR-356, no Bairro Belvedere, Centro-Sul de BH. Uma área de quase 4 mil metros quadrados foi atingida.

Fonte: Estado de Minas >> http://zip.net/bcpVRj